sábado, 25 de julho de 2009

Segue


O Sol foi dormir
E as estrelas convidam
Os pensamentos
À ficarem passeando
Por seus brilhos.
Ouve a repetitiva melodia
Do mar que espelha
Sua voz no silêncio
De olhos, que se perdem
Em lembranças.
Uma lua laranjada
Joga seu manto
Adotando o mar para si.
Pelo caminho...
Ficam marcas de pés cansados.
Marcas que logo são cobertas
Por ondas incansáveis.
A água está fria
E não há afagos para esquentar.
Na sombra de uma recordação
Espera acordar daquele sonho.
Procura uma companhia
Mas segue sozinha...
Devaneando.



Néli Lima
25 de julho de 2009.

terça-feira, 21 de julho de 2009









Olhos tristes
Vagam perdidos
Numa noite fria.
Passos lentos
Arranham o silêncio
Em busca de ninguém.
Tempo que rasteja
Horas que não passam
E noite cada vez mais fria.
Perfume congelado no ar
Aroma de sonho esquecido.
E um suspiro de lembranças
passadas.
Neblina esconde
As estrelas e
Uma lua que mingua despercebida.
O desejo de eternização
Domina n’alma.
Adormecer com o
Frio daquela noite
E fazer parte da penumbra.
Sensação de crepúsculo
permanente.
Olhos fechados.
Sonhos perdidos.
Desejos esquecidos.
Tempo acabado.



Néli Lima
23 de maio de 2009.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Afago à Eros

A seda verde-musgo do lençol
Deixa marcado o suor de corpos
Que se amaram.
No ar, sente-se o perfume do gozo.
Um silêncio enche o quarto de paixão.
No espelho o reflexo de duas almas
Que desejam mais amor.
Devagar uma barba arranha
Um alvo pescoço.
Olhos fechados sentem mais
Que beijos tocarem a pele molhada.
Deslizando, suavemente,
Uma língua aquece os sonhos.
Mutuas caricias suspiram
Em perfeita sincronia.
Fina pele arrepia-se
Ao som de sussurros
Incompreensíveis, mas adoráveis.
Um beijo, maior que o desejo,
Calmamente escorrega
Por um alvo corpo angelical.
Incontroláveis sensações
Fogem e se libertam
Ao toque de almas
Que se completam.
Sorrisos calam os
Suaves gemidos de afeto.
Movimentos retomam
O suor que secava.
E a seda verde-musgo
Agora marca corpos
Que se encontram
E se envolve
Em uma doce fluência
De cumplicidade.


Néli Lima
05 de maio 2008.