domingo, 20 de novembro de 2011

Usurpador


Algumas linhas tento deslizar
Mas o amor tomou de mim inspiração.
Como animal faminto,
Levou para si meus versos.
Se fecho os olhos buscando palavras soltas
Encontro teu sorriso e teu olhar
Contemplando meu ser,
Desenhando minha alma
Consumindo de minha felicidade.
Tento insistentemente
Reluto
Sonho
E o que me sobra é dizer que Te Amo.
Como se outros sons me fossem alheios.
Como se outras rimas me fossem proibidas.
O amor tomou de mim a inspiração
Levou-a para si
Transformou-a em estado de vida
Não deixando margem para letras
Apenas sentir.
Consolo-me em transbordá-la em meu ser,
Decalcando-a em meu rosto...
Não só para ti preciso escrever,
Mas para quem ler...
Pois se o amor
É tão ladrão de verso
Sou, eu, ainda mais ousada que ele...
Ultrapasso seus limites
E deixo cicatrizada profunda marca de palavras
Que são mais fortes que o tempo
E mais leves que a nuvem.
O amor, então, rouba de mim a inspiração...
E eu, por isso, roubo dele a teimosia...
Escrevo e nada mais. 

Néli Lima
20 de novembro de 2011