quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É só chegar




Passos vindos distantes
Despertam meus sentidos
Tento te reconhecer em meio
A tanta neblina.
Mas... que neblina é essa?
Não temos neblinas por essas bandas!
Como um susto
Retomo-me de um devaneio.
Olho o céu...
Estrelas escondem-se por detrás de nuvens rosadas.
Ventania acorda folha por folha
Só para mostrar...
Olha só que audácia...
Para mostrar que é ventania.
Como se já não soubessem as folhas.
Os ponteiros do relógio insistem em preguiçar.
Ficam lá quietinhos...
Sonhando com o tempo,
Sem permitir ele passar.
A angústia das estrelas escondidas
Faz cair fina chuva.
Faz esfriar toda uma noite.
Faz escorrer leve lágrima. 
Por tão pouco tudo serenaria...
Só ouvir baixinho
O som rouco que soa de tua boca
Já acalenta meu coração.
Só sentir suavemente 
O sopro de tua respiração
Já aconchega minh'alma.


Néli Lima
28 de outubro de 2010


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Princesa















Ela vinha
Sem subterfúgios
Sem anedotas
Simplesmente: vinha.
Vinha caminhando...
Talvez procurando uma direção...
Talvez encontrando uma direção.
Ela vinha
Sem fábulas
Sem encantos
Simplesmente: vinha.
Vinha num sei de onde...
Queria ir...
num sei pra onde...
Só sei que ela vinha!

Fada-madrinha esqueceu a magia.
Uma abóbora esquecida no encanto.

Ela vinha...
Depois de tantos encontros...
Depois de tantos desencontros.
Vinha buscando
Vinha descobrindo
Vinha, no entanto, aprendendo.

Quem sabe um sapo pelo caminho.
Quem sabe um sapato perdido.

Ela, então, vinha...
E encontrava...
sapos.
E perdia...
sapatos.
E esquecia...
abóboras.
E despercebia....
fadas-madrinhas.

Apólogos de um mundo real?
Ela vinha...
Olhando em volta
Esperando a hora
Sentindo o tempo passar
Desenhando os instantes.

Porque sabia
Porque tinha certeza
Que sonhos,
em estado de Sonhos,
acabam com o despertar do dia.
Que abóboras são desilusões e ensinamentos.
Que fada-madrinha é a vida.
Que os sapatos perdidos são pontes.
E que o príncipe é muito mais que um sapo.



Néli Lima 
5 de outubro de 2010.