Uma lacuna que doía
Uma falta inexpressável
De algo que não sabia o que era.
Procurava em choros etílicos
Em litros de alegrias momentâneas
Em conversas repetidas
Em prazeres casuais.
Vagou sem entender
O vácuo anulando a inocência
Fazendo dos sonhos
Cada vez mais abstratos.
Enxergava as cores a sua volta
Mas não percebia que eram opacas
Assim, contentava-se com elas
Como únicas.
Sentia o vazio
Algo mais profundo
Blindado e camuflado
Por suas alegorias cotidianas.
Sabia que precisava alcançar
Sentir um toque.
Buscou intimamente
O seu primitivo amor.
Um dia perdeu o olhar pelo céu da noite
E aqueles pontinhos brilhantes
Ladrilharam seus olhos
Queria-os em sua vida, profundamente.
Reparou que pelo seu rosto escorriam seus medos
Ao mesmo tempo que seu coração ardia
E seu corpo queimava em febre de purificação
Se deu conta que sorria enquanto chorava.
Suavemente o peso de uma mão
Tocou-lhe a alma
Um brilho escandescente lhe cobriu
Abriu os braços e alcançou
Alcançou o que tanto buscava
O abraço
Um abraço de vida
Uma vida de Verdades.
Olhou ao redor
Encantou-se com as cores reluzentes
E viu...
Viu as alegorias no chão
E a blindagem despedaçou-se.
Deus está em seu corpo!
Néli Lima
03 de maio de 2013
