quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

DEVORAR O POETA


A sonhadora menina queria!
Insistia. Queria devorar o poeta.
Alimentar-se de suas doces palavras,
Beber suas lágrimas salgadas.

Ela queria, a qualquer custo.
Saborear, diariamente, sua poesia
E lambuzar-se em sues encantos
Queria, insistia. Mastigar a emoção!

- Não menina, não é assim; não podes devorar amor...
Mas ela queria, não desistia.
Ela sentia o sabor do poeta antes mesmo de provar.
E garantia que era um sabor ímpar!

Sonhava acordada ou dormindo
Com banquetes hiperbólicos de poeticidade
Mesa repleta de amor, carinho, emoção desejo...
O apetite crescia, ela queria devorar o poeta!

Ele era calmo, doce, mas não comestível!
Era fonte, e ela queria beber a fonte, e não apenas da fonte,
De tanto ser alimentada de amor e sonhos,
A menina tornou-se incansável na busca de devorar o poeta!


Sara Vauthier

ROTINA



Entrar,
Deixar a calça no chão.
O banheiro todo molhado
A escova fora da caixinha
A tampa do creme dental longe...

Comer,
Aquilo que mais gosta.
Assistir televisão
E dar risada com as programações
E nem notar a carência alheia...

Deitar,
Como se fosse um rei.
Dormir em lençóis limpos
E sonhar o que nunca poderia contar
E esquecer no dia seguinte, a triste rotina!


Sara Vauthier

...Aos poucos

É mistério...

Silêncio gritante!

Dor carregada de esperança.

Sim, é possível!

A timidez aos poucos, dá lugar a voz

As palavras, aos olhares...

Melodiosamente, sim!

Misteriosamente, já!

Sinceramente, agora!

Mas aí, vem o senhor tempo

Que por um lado, já é hora

E por outro, é espera...

Dois caminhos que lutam para se cruzar

Para encontrarem-se um só caminhar...

Delicadamente firme

Firmemente sutil

E a curiosidade aumenta

E o senhor tempo que não passa

E passa...

E as noites com você no imaginário 

E sem você aqui...



Sara Vauthier