segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Ao mestre, com carinho"



Queria escrever um poema
Para, quem sabe, homenagear os professores.
Pela data reservada, em 200 dias letivos,
Em 365 – às vezes 366 – dias do ano,
Pensando ser essa a profissão que me encaixei
Que, por um acaso do destino, escolhi.
Mas os versos se perdiam
E as palavras simplesmente
Teimaram em não vir.
Tentei inspiração teórica
Uma pesquisa sobre a data
Descobertas históricas
Tantas coisas que envolvem essa data 
E tantas outras datas, em cada país.
Tentei buscar no dicionário
Tentei pensar o porquê da minha escolha
Tentei lembrar as boas palavras dos amigos
Tentei recordar os sorrisos e carinho dos alunos
Tentei...
Nas tudo fora inútil.
Pois junto com os sorrisos, os carinhos
A fé e esperança de mudar o mundo
Veio o descaso
A violência (verbal e física)
A desvalorização
O desrespeito.
Sou professora, ainda com orgulho
Sou professora porque é o que sei ser
Sou professora
Formadora de opinião
Sou professora
Defensora dos meus jovens
Sou professora
Cheia de ideias e ideologias
Sou professora por profissão
Mas, de vez em quando, por amor.
Queria ter lindas palavras
E dizer que o amor me faz feliz
Ao acordar às cinco da manhã
Depois de passar horas preparando
Um material interessante
E percorrer turmas
Tentando os entusiasmar
Com uma novidade
Com um diferencial
Mas voltar para casa apenas cansada.
Então cheguei nestas palavras:
15 de outubro
No Brasil, dia dos professores
Feriado nacional
Algumas escolas se organizam
Oferecem aos antes chamados Mestres
Uma homenagem, um passeio, uma canetinha...
Às vezes uma caneca
Fora as comemorações que saem
De nosso nem tão exemplar salário.
Dia 15 de outubro
Há muitos anos
Era o dia que os jovens levavam,
Para escola, frutas e doces
Para seus professores.
Figura importante e de respeito,
Aquele que muitos queriam seguir.
Hoje
Só mais um feriado
Agradecido pela classe
Um momento de descansar
Daquele jovem que quer ser o rei da escola
Daquele jovem que diz que paga do “seu” salário
Daquele jovem que pergunta: É para copiar?
Daquele jovem que sai da sala e entra quando quer
Daquele jovem que joga papel no chão, quando não o transforma
Em uma bolinha e joga em você.
Daquele jovem que não tá nem aí (afinal, o problema é nosso)
para suas noites mal dormidas
Preparando a melhor aula do mundo para ele
Daquele jovem que ameaça
Daquele jovem que cumpre a ameaça
Daquele jovem vítima do sistema
E não só desses jovens (que pode ser um só)
Mas, também, dos governantes sanguessugas
Que absorvem nossas energias
Como esponjas esfomeadas,
Dos donos de escolas
Que ditam regras e mais regras
E nos atam as mãos impedindo sermos
Nós mesmos, mas meros fantoches
Padronizados aos seus padrões.
15 de outubro
Dia do professor, no Brasil
Dia de pensar...
Vale, mesmo, a pena???
Se Sim...
Então... vá (vamos) em frente
Pingando nossas opiniões
E buscando a revolução
Temos muito para mostrar ao Brasil
Tantos gritos presos
Tantos sonhos abarrotados
Às vezes temos apoio da sociedade
Às vezes nem tanto assim
Se Sim...
Levante a cabeça
Aceite as batalhas
Não desista diante da luta
Pode ser que virem guerras
Pode ser que pimenta vire arma
A polícia esteja contra nós
Mas pode ser que não nos calem
Mas pode ser que nosso brado seja ecoado
E
Quem sabe
Quem sabe
Um dia... os versos venham mais fáceis
E as palavras sejam para enaltecer
Tão nobre (?) área profissional.
Agora, caso se Não... sabemos o que fazer.

Néli Lima
14 de outubro de 2013
(profª de Português e Redação há, poucos, 6 anos)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sisudez



O amor veio de mansinho
Como a carência de um gato
Curtindo o sorriso pudico
E o olhar fugidio
Foi (se) ficando e se instalando
Tomando conta de todo o coração

- Respiração mais parecia
Que ritmava a pulsação -

O amor chegou meio cauteloso
Talvez por receio da certeza
de que o falar sozinho seria rotina
E sonhar acordado
Entregaria o suspiro até ali guardado.

O amor fez moradia
Aconchegou-se no acalento
De duas almas que se descobriram
Peças essenciais
No quebra-cabeça
Da realização plena.

- E fez-se feliz -

Néli Lima
08 de outubro de 2010

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Muso Inspirador


Não me controlo em ver 
Uma folha de papel em branco 
E não colocar sentimentos nela.
Embora as minhas mãos escrevam 
O que a minha boca já pronunciara tantas vezes.
Nada que surge em versos
(Para que seus olhos brinquem de ler)
Não já tenha emergido do meu coração
Em gestos e ações.
Até parece que tudo que falo
Se perde no vácuo
No segundo seguinte.
É como se meu sentimento precisasse
Das forças das palavras
Para não parecer tão inocente.
Aos poucos a folha de papel 
Vai sendo preenchida 
De carinho
Realizações
Amor, enfim.
Fico torcendo que ainda sobrem espaços
Para repetir minhas alegrias e meus sonhos.
Então repito
Re-escrevo cada saudade que te dedico,
Talvez na tentativa de que o papel absorva-a
E suma com ela em suas linhas.
Aos poucos o papel vai acabando
Como se cansasse de tantos versos repetidos.
Mas, na verdade, ele não se aguenta de inveja
Por não ter quem lhe dedique algum latim.
E eu, então, deixo para ele: 
Orgulhe-se,
Pois o amor não se deve invejar, 
Sim contemplar.
E vai acabando a folha...
Quem dera uma linha que seja a mais...
Ainda há tanto para mostrar...
Então
O que 
Me resta
É imprensar 
No cantinho
Bem apertadinho
O que parece
Bem pouquinho
Mas que
Diz tanto:
Amo-te.


Néli Lima
02 de outubro de 2013