quarta-feira, 1 de abril de 2009

Afago à Eros

A seda verde-musgo do lençol
Deixa marcado o suor de corpos
Que se amaram.
No ar, sente-se o perfume do gozo.
Um silêncio enche o quarto de paixão.
No espelho o reflexo de duas almas
Que desejam mais amor.
Devagar uma barba arranha
Um alvo pescoço.
Olhos fechados sentem mais
Que beijos tocarem a pele molhada.
Deslizando, suavemente,
Uma língua aquece os sonhos.
Mutuas caricias suspiram
Em perfeita sincronia.
Fina pele arrepia-se
Ao som de sussurros
Incompreensíveis, mas adoráveis.
Um beijo, maior que o desejo,
Calmamente escorrega
Por um alvo corpo angelical.
Incontroláveis sensações
Fogem e se libertam
Ao toque de almas
Que se completam.
Sorrisos calam os
Suaves gemidos de afeto.
Movimentos retomam
O suor que secava.
E a seda verde-musgo
Agora marca corpos
Que se encontram
E se envolve
Em uma doce fluência
De cumplicidade.


Néli Lima
05 de maio 2008.