domingo, 2 de novembro de 2008

Buscar-te-ei


Menino bonito, onde estás?
Procuro-te faz tanto tempo.
E nem sei quem tu és.
Como vou te encontrar?
Sei que estás escondido,
Tentando fugir do dia,
E que de noite reinas
Nos sonhos de belas moças.
Menino bonito vem me ver
Quero muito te ouvir
Sei que tu podes cantar para
Mim canção de sorrir.
A noite sonha com teu perfume
Enchendo os jardins de luz.
Vem menino bonito,
Faz-me feliz.
Mas se não puderes vir
Chama-me que te irei buscar:
Serás feliz.
Sem querer meu ser soube
Que tu moras bem perto
Do meu coração.
Posso ser a tua branca,
Preta, amarela ou rubra.
Posso ser o teu anjo ou a tua menina.
Sou aquela que sempre te sonhou
E te desejou sem nunca ter te visto.
Pega na minha mão e me leva contigo
Até o cântico do mar.
Sei que o mundo
Vai nos abençoar.
Ah! Menino Bonito
Onde tu estás?
Sinto que podes me escutar.
Estou aqui te esperando.
Cantando a tua canção.
Sonhando o teu sonho.
Desejando o teu desejo.
E vivendo para te dizer
Que sabia que iria te amar.



Néli Lima 05/07/08

terça-feira, 29 de julho de 2008

Dois


Um toque de mãos.
Olhares encontrados.
Caminhando juntos
Sentem o vento soprar.
E nem palavras ousam dizer.

Só a cumplicidade de um gesto os envolve.
Um doce sussurro desperta um sorriso.

O tempo se confunde com os instantes:
Parece até que foi hoje o amanhã
E o ontem ainda nem surgiu.

Olhos fechados esperando o mundo parar
E o momento congelar.
Sozinhos, não querem ser “Dois”.
Buscam unificar os sentidos.


E o tempo agora quer
Fotografar o sussurro,
Mostrar ao toque
Como é doce sorrir.


O amanhã olha para o hoje
E as palavras teimam em não raiar.


Um caloroso silêncio
Ouve a chuva cair devagar
Enquanto, juntos...
“Dois” já não são mais.



Néli Lima - 03 de julho de 2008.

sábado, 31 de maio de 2008


SUA AUSÊNCIA.




Me sinto só
As vezes.
Sem você
Quase sempre
No vazio
Muitas vezes
Cercada de lembranças
A cada instante
Por isso, poucas palavras servem
Não há como descrever
É uma busca pra esclarecer o obscuro
Uma tentativa vã de querer te atingir
Em palavras a ausência é mais profunda
O vazio é mais só
A esperança é distante
Em palavras a ausência é apurada
Apenas a ausência, pode traduzir a ausência!



Sara Vauthier dos Santos


Foi assim que aconteceu

O céu estava sem estrelas,
A lua brincava de esconde-esconde
O mar negava seu sorriso,
e as ondas em silêncio... inertes!
As praças estavam vazias, nada que lembrasse vida...
No relógio, os ponteiros lentos...
Cada passo era uma triste melodia do acaso
E assim, como se as estrelas tivessem caído...
Como se a lua tivesse sumido...
O mar estivesse em profunda agonia
E as ondas mudas de pavor...
Como se a vida tivesse se tornado nada
E o tempo de velho não mais caminhasse...
E os passos fossem apenas um ir, e não um caminhar ...
Foi assim que aconteceu quando te disse: adeus!

Sara Vauthier

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Precipício


Parada, ao longe
Torna-se parte da paisagem melancólica
Observa seus pensamentos voarem
Voarem e cair no precipício
Um por um.
Imóvel ao vento, não nota
Os pássaros que brincam com seus cabelos...
Uma beleza de pintura.
Uma imagem que se move
Porém, que permanece parada.
Será que espera um sinal?
Será que deseja pular e
Abandonar sua sombra?
Será que espera por alguém?
Não se sabe.
Lá está...
Parada, imóvel... solitária.
Os raios de sol apreciam sua face
E tardam deixá-la a completa solidão.
O vento se diverte movendo o que parece
Ser o único sinal de vida...
A noite deseja surgir,
Uma estrela luta em brilhar.
Mas o Sol deseja ficar.
Melancólica imagem
Que completa a paisagem
De pintura que se move.
Esquece-se em si
No dia que está acabando.
De repente...
É noite!
Não há mais nada lá... ali...
Tudo se mistura na escuridão.
Sumiu!
Foi buscar abrigo
No colo do sol que, devagar, se escondia
Por trás do precipício.





Néli Lima
05 de julho de 2007

segunda-feira, 5 de maio de 2008


És preciosos Meu Amor!

Sinto te informar, mas eu não consigo!
Juro que tentei, mas é humanamente impossível.
Eu nunca encontro as palavras certas,
Elas insistem em desaparecer do meu vocabulário.
A verdade é que, apenas palavras não conseguem explicar,
O quanto és precioso Meu Amor.

Você trouxe de volta o brilho em meus olhos.
Encheu de alegria minha alma.
Prendeu minha vida em suas mãos.
Você cuidou do meu coração.
O seu beijo trouxe a mais linda melodia aos meus lábios.
Como posso dizer com palavras o quanto és precioso Meu Amor?

Sara Vauthier

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Lembrarei



Parece que estou esquecendo.
Esquecendo a tua voz,
O teu toque,
O teu beijo,
O teu sorriso,
O teu cheiro,
O teu carinho,
O teu jeito,
O teu ser...
Perece que estou esquecendo
Como fazias
Como dizias
Como sentias
Como ouvias
Como eras...
Não!
Não se trata de loucura
Eu só não penso mais em ti.

Os dias corroeram as recordações
Como cupins esfomeados.
E só deixaram restos espalhados
Por toda parte
No chão,
No sofá,
Na cama,
Na agenda....
Não há vassouras que limpem
Nem há água que lave.

Mas, pensando bem...
Melhor deixar como estar.
O vento se encarregará de levar
O que ainda há para lembrar.


Acho que estou esquecendo
Esquecendo de lembrar
O que ainda há de esquecer!


Néli Lima
(21/03/2008)

sábado, 5 de abril de 2008

Meus Sonhos e Você

Para onde foram os sonhos?
Eles estavam aqui...
Cadê?
Quem os viu?

Passou-me uma idéia intrigante:
E se eles desistiram de existir,
Resolveram pular, um por um,
No abismo dos sonhos perdidos?

Ora! Que idéia mais boba
E sonho, por acaso, tem vontade própria?
Mas, então...
Onde eles estão?

Dormir já não adianta mais.
Estar sozinho deixa um vazio.
Sem sonho está tudo tão sem graça!
Alguém viu os sonhos que estavam aqui?

Se os viram, tragam-me, por favor...
Eles são partes de mim
E por teimosia do destino, fugiram...
É bem verdade que quero compartilhá-los com alguém

E quer saber? Acredito que eles foram se tornar realidade!
Talvez eles possam ter ido até você...
Para vires me entregá-los....
Será mesmo que meus sonhos agiram por mim?

Sonhos têm dessas coisas mesmo, vem e vão...
E eu os espero, confesso que não estou mais tão preocupada
Sinto que algo bom vem a caminho...
Meus sonhos e você... direto pro meu ninho.


Néli Lima e Sara Vauthier

24 de janeiro de 2008.

domingo, 30 de março de 2008


"As razões pelas quais me levaram a ser tua amiga: desconheço!
A razão que me levou a me reconhecer tua amiga: você existir! "


Meus sentidos e você!


Eu nasci pra te amar...
Estava escrito nas estrelas
É meu destino amar...
E ser amada!

Meu coração nunca ousou bater mais forte
Por alguém antes de ti.
E recusa-se a fazê-lo se por ventura
Atrever-se alguém a pedir-lhe sua pulsação!

Eu nasci pra amar...
Nenhuma força pode negar-me isto
Nenhum destino pode apagar
Nasci pra ser amada!

Meus olhos não conseguiram enxergar
Beleza antes de tua face contemplar
Não... Não há beleza antes
Nem além de ti...

Meus lábios jamais pronunciaram
Poemas de amor. Não... Eles não diriam
Enquanto você não chegasse, eles ficariam serrados.
E assim mantiveram-se até você chegar!

O cheiro... ah! Este só veio ser lembrado
Após nosso primeiro abraço
A partir de então o teu cheiro:
Me acompanha, me envolve, não me solta!

Hoje posso ouvir falar de amor!
Escuto uma canção e ouço tua voz...
No silêncio posso ouvir-te dizendo
Que me amas e que tudo vai dar certo...

É... é meu destino amar...
E....Ser amada!









Sara Vauthier

sábado, 29 de março de 2008

AMIGAS - NÓS - POETISAS

Néli Lima e Sara Vauthier


Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem formento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono
ou se edifico,
se permaneço
ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles


sexta-feira, 28 de março de 2008

A Bela e a Chuva

Ela, calma e bela chora!
Estrela em forma de gota
Escorre em sua tez morena.
É ela, menina serena
Que repousa seus sonhos na lua

Houve um tempo em que não chovia.
É que a calma moça só sorria
Mas hoje chove...
E ela calma e bela chora...
Chove e chora...

Não se sabe que mistério
Há entre a natureza e a doce donzela
Sabe-se apenas que:
Quando ela chora, chove.
E quando ela rir, nasce jasmins.

E nasceram jasmins e raras flores
Por muitas estações
Arco-íris, sol gostoso
Alegria de primavera mesmo em pleno verão
Isso, e tudo mais que lembrasse vida.

Hoje, porém, tristeza líquida cai do céu.
Pétalas de rosa molhada banham as ruas
Tudo é vazio, solitário.
Triste e deserto
Deserto sim...mas chove!

Ela, calma e bela chora!
Sonha, delira, respira
Natureza e seus sonhos em ligação
Sua angustia e o choro natural em composição.
Enquanto ela chora...chove!
Sara Vauthier

quarta-feira, 26 de março de 2008

Lua Vermelha, Vermelha Lua









Vida que corre em tua superfície
Avermelhou a tua face
Lua engraçada, meio Cinderela, sempre assim, amarela
Ilumina e se entrega ao mar que a espera.

Vi-te sangrando, em ruínas.
A natureza parou para te consolar
Mas foi inútil, fugistes de todos por entre nuvens.
Mesmo com o coração chorando...
Lua Vermelha: ainda reina.

Não há sombra que te oculte
Teu brilho é inegável e constante
Lua cheia amando sozinha
Espera paciente, sem receio, o sol tão radiante.

Noite nada sombria
Dia que tarda a chegar
És dona da tua hora, Princesa do universo, Rainha do teu lar.
Se quiseres, nem nuvem, nem eclipse te esconderão.

Pois és absoluta em teu céu
Soberana em meus devaneios
Deusa dos apaixonados medrosos, e ousados.
Dona da inspiração de poetas mal-amados.

Vendo-te daqui, assim, sangrando toda...
Percebo que o vermelho constante que teu brilho revelou
Nada mais que o meu estranho amor
Então, Joga sobre ele essa luz de bonança,
quem sabe assim, teu brilho o alcança!

Néli Lima e Sara Vauthier
21 de fevereiro de 2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Até quando?

Chuva de saudade.
O céu fecha-se em si,
Escurece de tristeza
Desiste de azular.
Sons mudos ecoam
Aquela música que não toca mais.
Buscar os teus sorrisos
Já não me completa mais.
Tempestade de solidão
Inunda o vazio de teus beijos.
Melancólico choro das nuvens
Emudece minh’alma.
Murmúrios,
Lamentações,
Desilusões,
Tristes soluços...
Ouvem o “adeus”.
E renunciam ao mundo
Tudo que poderia ser.
Tudo que deixou de ser.
Tudo que não é mais.

Temporal de esquecimento.
Temporal o esquecimento.
É só a chuva passar.
É só a noite dormir.
É só abrir novamente os olhos
Que o mórbido dia
Ressurge a espera de
Outras águas.


22 de março de 2008.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Imagem


O tempo parece ter parado e
Tudo parece que foi esquecido.
As aparências passam
Despercebidas.
Há pessoas em toda parte,
E ninguém em parte alguma.
Fica escuro.
Fica claro.
Tudo parece não existir
E tudo está logo
Aqui... Ali
De lá... Para cá!
Fecho os olhos e vejo
Uma vida.
Porém, uma vida que já passou...
Abro os olhos e não vejo mais nada!
Não.
Não estou cega!
Só não consigo enxergar além...
Com os olhos fechados
Tudo é mais feliz!
Com os olhos abertos
Tudo é mais distante!
Parece que o tempo parou.
Parece que tudo está esquecido.
Não há ninguém na multidão.


05 de julho de 2006.
Inerte

Inerte, parece não sentir nada.
Um sorriso mascara sua dor.
Como um dom, disfarça sua angustia.
Solitária e triste vive de aparência.
Não pode ver o arco-íris.
Já não acredita no amor.
Desiste do que é ser feliz.
Ilusões, decepções, caminhos não traçados...
Caminhos que não foram seguidos.
Tudo é tão frívolo.
Tudo é tão impossível.
Com seu olhar distante não
Percebe a borboleta azul que lhe beija.
Inerte, não sente o sopro de vida
que toca sua face.
Não ouve a chuva cair.
Não sente a pele molhada.
Não vê o dia passar.
Não percebe o brilho da
Lua cheia que surge.
Lua que ilumina todo um novo caminho.
Porém, inerte, não percebe que
novas vidas vão e vem.
Solitária em si, permanece
Inerte.

(10/07/07)