terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nectarino



Ela sentia que as noites eram doces,
Mas não percebia que sonhava.
Ela acreditou que estrelas voavam,
Mas não entendia porque eram cadentes.
Cada pensamento lhe custava um suspiro.
Cada recordação lhe caramelizava uma intuição.
Enquanto passeando desatenta pelo céu da boca...
Caiu no limbo do amor da maçã-do-amor.
Em seus olhos, um afável brilho
Insistia em mantê-los fechados.
Pois se noites adoçadas são tão raras...
Então, para quê findar os sonhos?
Para cada estrela cadenciada,
Um desejo renovado.
E gotinhas de mel escorriam de seus encantos.
Sabia, ela, que...
As dores eram mordaz.
Mas os sorrisos...
Ah! Os sorrisos...
Os sorrisos tão melódicos...
Metamorfoseiam sonhos
Em lindas e formosas realidades...
Coloridas e leves...
Que revoluteiam a vida.

Néli Lima
2 de agosto de 2016. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Saudade de Escrever



Às vezes o silêncio se instala;
Às vezes o tempo passa tão rápido;
Às vezes nem notamos
E já vivemos tantas coisas.

Cada momento crava recordações
Na nossa história.
E a rotina nos toma de asma
Só para ela, todos os versos.

Mas, de vento em vento,
O doce ar que nos rodeia
Enche-nos de poesia...
Só nos cabe transbordar.

Linhas vão surgindo,
Palavras se combinam
No mais entrelaçado estado
De se deixar dizer.

Depois de uns jantares,
De mais uns jantares quaisquer,
Vem uma inesperada sobremesa
Em fôrma de papel.

Desenformá-la-emos em linhas
Que mesmo tortas
Delineiam apenas mais um poema
Para acalmar a saudade de escrever.

19 de fevereiro de 2015
Néli Lima

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Promessa


Queria escrever um texto criativo
Ou um poema romântico
Poderia até fazer sorrir ou chorar

Queria brincar com as palavras
E falar desse ensejo
Poderia dizer tudo que todos já sabem

Queria ter a minha disposição
Vocabulário inspirado por Eros ou Afrodite
Poderia derramar-me em juras de amor eterno

Queria falar do casamento
E oferecer-me como esposa perfeita
Poderia transbordar promessas mil

Mas como?
Se tudo isso é uma doce novidade para mim?

Não o poetizar ou usar os versos
Para dispor sentimentos e sonhos
E nem o ato de expressar meu amor por você,
Mas o ato de descrever
O que esse momento representa.

O que te serei como esposa
Companheira e cúmplice
Aprenderei contigo todos os dias.

Pois...
Que nos completamos já mostramos
Que nos ajudamos já sabemos
Que nos amamos já sentimos

Agora...
Começaremos daqui a nossa família
Construiremos o nosso lar
Edificados sobre o mais forte
E poderoso alicerce: Deus.

Porém...
Se devo te prometer algo
(Como esposa de primeira e Única viagem)
É que vou te amar a cada amanhecer
Não menos quanto te amei ao adormecer.

Néli Lima Bandeira
23 de março de 2014.
(Dia do nosso casamento, texto lido para meu Amorinho)

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Encontrando-se

Sentada diante do mar
Não se importava com a areia arranhando sua pele
Nem com o vento frio que soprava
Muito menos com o deserto que a rodeava

O silêncio urbano a fez ouvir todos os sussurros
Que as ondas traziam
O que lhe ajudou a por em disposição
Seus medos e angustias

Naquele momento o mar era 
Seu conselheiro mais sensato
Descarregou suas dores e seus conflitos
E a cada onda a esperança era tecida em seu coração

Aquele era o tempo da mudança
O tempo de deixar para trás os pesadelos
Os sonhos não realizados
As despedidas dolorosas

Aquele era o tempo da afirmação
De novos tempos
De novos sonhos
De novos encontros.

Entregou-se a si mesma
E mergulhou em seus pensamentos
Respirava no ritmo das ondas
Pois já fazia parte do cenário

Agora podia gritar
Todo o equilíbrio das suas insanas emoções
E deixar para quem quisesse saber
Que sentia o mundo sob seus pés.

Sem se importar com a areia em seu corpo
Deixou suas pegadas na praia
E partiu...
Estava livre...
Podia, enfim, viver o amor.

Néli Lima
16 de janeiro de 2014


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

"Ao mestre, com carinho"



Queria escrever um poema
Para, quem sabe, homenagear os professores.
Pela data reservada, em 200 dias letivos,
Em 365 – às vezes 366 – dias do ano,
Pensando ser essa a profissão que me encaixei
Que, por um acaso do destino, escolhi.
Mas os versos se perdiam
E as palavras simplesmente
Teimaram em não vir.
Tentei inspiração teórica
Uma pesquisa sobre a data
Descobertas históricas
Tantas coisas que envolvem essa data 
E tantas outras datas, em cada país.
Tentei buscar no dicionário
Tentei pensar o porquê da minha escolha
Tentei lembrar as boas palavras dos amigos
Tentei recordar os sorrisos e carinho dos alunos
Tentei...
Nas tudo fora inútil.
Pois junto com os sorrisos, os carinhos
A fé e esperança de mudar o mundo
Veio o descaso
A violência (verbal e física)
A desvalorização
O desrespeito.
Sou professora, ainda com orgulho
Sou professora porque é o que sei ser
Sou professora
Formadora de opinião
Sou professora
Defensora dos meus jovens
Sou professora
Cheia de ideias e ideologias
Sou professora por profissão
Mas, de vez em quando, por amor.
Queria ter lindas palavras
E dizer que o amor me faz feliz
Ao acordar às cinco da manhã
Depois de passar horas preparando
Um material interessante
E percorrer turmas
Tentando os entusiasmar
Com uma novidade
Com um diferencial
Mas voltar para casa apenas cansada.
Então cheguei nestas palavras:
15 de outubro
No Brasil, dia dos professores
Feriado nacional
Algumas escolas se organizam
Oferecem aos antes chamados Mestres
Uma homenagem, um passeio, uma canetinha...
Às vezes uma caneca
Fora as comemorações que saem
De nosso nem tão exemplar salário.
Dia 15 de outubro
Há muitos anos
Era o dia que os jovens levavam,
Para escola, frutas e doces
Para seus professores.
Figura importante e de respeito,
Aquele que muitos queriam seguir.
Hoje
Só mais um feriado
Agradecido pela classe
Um momento de descansar
Daquele jovem que quer ser o rei da escola
Daquele jovem que diz que paga do “seu” salário
Daquele jovem que pergunta: É para copiar?
Daquele jovem que sai da sala e entra quando quer
Daquele jovem que joga papel no chão, quando não o transforma
Em uma bolinha e joga em você.
Daquele jovem que não tá nem aí (afinal, o problema é nosso)
para suas noites mal dormidas
Preparando a melhor aula do mundo para ele
Daquele jovem que ameaça
Daquele jovem que cumpre a ameaça
Daquele jovem vítima do sistema
E não só desses jovens (que pode ser um só)
Mas, também, dos governantes sanguessugas
Que absorvem nossas energias
Como esponjas esfomeadas,
Dos donos de escolas
Que ditam regras e mais regras
E nos atam as mãos impedindo sermos
Nós mesmos, mas meros fantoches
Padronizados aos seus padrões.
15 de outubro
Dia do professor, no Brasil
Dia de pensar...
Vale, mesmo, a pena???
Se Sim...
Então... vá (vamos) em frente
Pingando nossas opiniões
E buscando a revolução
Temos muito para mostrar ao Brasil
Tantos gritos presos
Tantos sonhos abarrotados
Às vezes temos apoio da sociedade
Às vezes nem tanto assim
Se Sim...
Levante a cabeça
Aceite as batalhas
Não desista diante da luta
Pode ser que virem guerras
Pode ser que pimenta vire arma
A polícia esteja contra nós
Mas pode ser que não nos calem
Mas pode ser que nosso brado seja ecoado
E
Quem sabe
Quem sabe
Um dia... os versos venham mais fáceis
E as palavras sejam para enaltecer
Tão nobre (?) área profissional.
Agora, caso se Não... sabemos o que fazer.

Néli Lima
14 de outubro de 2013
(profª de Português e Redação há, poucos, 6 anos)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sisudez



O amor veio de mansinho
Como a carência de um gato
Curtindo o sorriso pudico
E o olhar fugidio
Foi (se) ficando e se instalando
Tomando conta de todo o coração

- Respiração mais parecia
Que ritmava a pulsação -

O amor chegou meio cauteloso
Talvez por receio da certeza
de que o falar sozinho seria rotina
E sonhar acordado
Entregaria o suspiro até ali guardado.

O amor fez moradia
Aconchegou-se no acalento
De duas almas que se descobriram
Peças essenciais
No quebra-cabeça
Da realização plena.

- E fez-se feliz -

Néli Lima
08 de outubro de 2010

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Muso Inspirador


Não me controlo em ver 
Uma folha de papel em branco 
E não colocar sentimentos nela.
Embora as minhas mãos escrevam 
O que a minha boca já pronunciara tantas vezes.
Nada que surge em versos
(Para que seus olhos brinquem de ler)
Não já tenha emergido do meu coração
Em gestos e ações.
Até parece que tudo que falo
Se perde no vácuo
No segundo seguinte.
É como se meu sentimento precisasse
Das forças das palavras
Para não parecer tão inocente.
Aos poucos a folha de papel 
Vai sendo preenchida 
De carinho
Realizações
Amor, enfim.
Fico torcendo que ainda sobrem espaços
Para repetir minhas alegrias e meus sonhos.
Então repito
Re-escrevo cada saudade que te dedico,
Talvez na tentativa de que o papel absorva-a
E suma com ela em suas linhas.
Aos poucos o papel vai acabando
Como se cansasse de tantos versos repetidos.
Mas, na verdade, ele não se aguenta de inveja
Por não ter quem lhe dedique algum latim.
E eu, então, deixo para ele: 
Orgulhe-se,
Pois o amor não se deve invejar, 
Sim contemplar.
E vai acabando a folha...
Quem dera uma linha que seja a mais...
Ainda há tanto para mostrar...
Então
O que 
Me resta
É imprensar 
No cantinho
Bem apertadinho
O que parece
Bem pouquinho
Mas que
Diz tanto:
Amo-te.


Néli Lima
02 de outubro de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Reencontro

Sentia um vazio
Uma lacuna que doía
Uma falta inexpressável
De algo que não sabia o que era.

Procurava em choros etílicos
Em litros de alegrias momentâneas
Em conversas repetidas
Em prazeres casuais.

Vagou sem entender
O vácuo anulando a inocência
Fazendo dos sonhos
Cada vez mais abstratos.

Enxergava  as cores a sua volta
Mas não percebia que eram opacas
Assim, contentava-se com elas
Como únicas.

Sentia o vazio
Algo mais profundo
Blindado e camuflado
Por suas alegorias cotidianas.

Sabia que precisava alcançar
Sentir um toque.
Buscou intimamente
O seu primitivo amor.

Um dia perdeu o olhar pelo céu da noite
E aqueles pontinhos brilhantes
Ladrilharam seus olhos
Queria-os em sua vida, profundamente.

Reparou que pelo seu rosto escorriam seus medos
Ao mesmo tempo que seu coração ardia
E seu corpo queimava em febre de purificação
Se deu conta que sorria enquanto chorava.

Suavemente o peso de uma mão
Tocou-lhe a alma
Um brilho escandescente lhe cobriu
Abriu os braços e alcançou

Alcançou o que tanto buscava
O abraço
Um abraço de vida
Uma vida de Verdades.

Olhou ao redor
Encantou-se com as cores reluzentes
E viu...
Viu as alegorias no chão
E a blindagem despedaçou-se.

Deus está em seu corpo!

Néli Lima
03 de maio de 2013



sexta-feira, 22 de março de 2013

Em um ano


De olhos bem abertos
Vai sonhando pela rua.
Flores, doces e música de fundo
Sorrisos, olhares e uma lágrima que brinca 
De olhos bem abertos
Até parece que repara na paisagem.
Até parece que ouve o que toca em seu fone de ouvido
Até parece que percebe o tempo passar.
Tempo...
Quanta relatividade
Um novo dia sempre será 
Um dia a menos.
Então começa a contagem: regressiva.
Só falta um ano!
Ainda falta um ano?

De olhos bem abertos
Vai sonhando pela rua.
Dos contos de fadas
O que lhe foi oferecido
(Príncipe e sonho)
Está de bom agrado.
Porque toda menina sempre deseja
Porque toda menina um dia já idealizou
Porque toda menina aguarda...
E porque toda mulher merece
Que esse dia chegue e seja...
Feliz!

Néli Lima
22 de março de 2013

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Desencontros entrelaçados




Você é passivo... eu ativa.
Você apaga o fogo... eu jogo mais lenha.
Você gosta de ficar a sós... eu gosto de estar em grupo.
Você gosta do reservado... eu do público.
Você se cala... eu falo.
Você aceita... eu reivindico.
Você observa... eu ajo.
Você é calmo... eu agitada.
Você é previsível... eu sou imprevisível.
Você se conforma... eu vou atrás.
Você critica... eu brigo.
Você ouve e cala... eu ou
ço e falo.
Você pensa com a razão... eu com a emoção.

Eu quero dar minha opinião.
Você pergunta: por quê?!
E eu respondo: porque é preciso!
- Pra quem? Do que vai adiantar? – É o que você me diz.
- É importante... para mim.

Dois corpos, duas almas, duas cabeças,
Dois mil pensamentos.
A outra metade?
A parte que faltava para sermos Um?
Só pode ser se...
Aceitarmos nossos desencontros entrelaçados.
E mais, se...
Entrelaçarmos os nossos desencontros.

Néli Lima
3 de fevereiro de 2013