quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Muso Inspirador


Não me controlo em ver 
Uma folha de papel em branco 
E não colocar sentimentos nela.
Embora as minhas mãos escrevam 
O que a minha boca já pronunciara tantas vezes.
Nada que surge em versos
(Para que seus olhos brinquem de ler)
Não já tenha emergido do meu coração
Em gestos e ações.
Até parece que tudo que falo
Se perde no vácuo
No segundo seguinte.
É como se meu sentimento precisasse
Das forças das palavras
Para não parecer tão inocente.
Aos poucos a folha de papel 
Vai sendo preenchida 
De carinho
Realizações
Amor, enfim.
Fico torcendo que ainda sobrem espaços
Para repetir minhas alegrias e meus sonhos.
Então repito
Re-escrevo cada saudade que te dedico,
Talvez na tentativa de que o papel absorva-a
E suma com ela em suas linhas.
Aos poucos o papel vai acabando
Como se cansasse de tantos versos repetidos.
Mas, na verdade, ele não se aguenta de inveja
Por não ter quem lhe dedique algum latim.
E eu, então, deixo para ele: 
Orgulhe-se,
Pois o amor não se deve invejar, 
Sim contemplar.
E vai acabando a folha...
Quem dera uma linha que seja a mais...
Ainda há tanto para mostrar...
Então
O que 
Me resta
É imprensar 
No cantinho
Bem apertadinho
O que parece
Bem pouquinho
Mas que
Diz tanto:
Amo-te.


Néli Lima
02 de outubro de 2013

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