sábado, 28 de maio de 2011























Para Sofia...

"Um dia sonhei ...Quero ser mãe de uma menina que ande de marias-chiquinhas pela casa empurrando um carrinho de bonecas, que trombe nos móveis às risadas, brinque com meus sapatos de salto, faça roupinhas para suas barbies descabeladas.
Quero ser mãe de uma garotinha que fique com as bochechas coradas de correr.
Que suba em árvores... uma moleca bonitinha, que coma fruta do pé e limpe a boca na manga da blusa de crochê, que tome sopa fazendo barulho sem querer.
Quero ser mãe de uma menina de lindo olhar, que ria escondido, que pregue peças, brinque de vídeo-game, fique brava quando perder e quando tiver de tomar bronca, que saia a correr descalça pela casa, que goste de sorvete com chantili.
Que seja a primeira da classe e seja elogiada por isso.
Quando adolescente, que chore vendo um filme, que ganhe seu primeiro sutiã, que escove os cabelos para dormir, que queira namorar e sair, que chore no meu ombro a primeira decepção, que peça permissão para chegar de manhã, que quando mulher, se case um dia e... tenha a mesma sorte que eu: seja mãe de uma menina!"




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Texto extraído da internet.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Da Janela




Se ao olhar para o céu, através da janela do meu quarto, aquela esperada lágrima rolar mais uma vez, contemplando o caminhar sem preocupação das nuvens, saberei que meu coração ainda espera por você. Com toda paciência de nuvens. Mas a lágrima que rola me faz sentir angustia de estar, talvez, na espera errada. Os dias, para mim, são pão com margarina e suco de limão. Tudo tão igual que até parece normal.

Se ao olhar para o céu, através da janela do meu quarto, aquela esperada lágrima não rolar, tenho medo que seja meu coração conformado e acostumado a saber que as nuvens simplesmente passarão e o deixará, mais uma vez. Nem queijo para mudar o sabor de mais um dia de esperança por mudança de direção do vento.

E olhando para o céu, através da janela do meu quarto ensurdeço ao confuso trânsito urbano e reflito o cântico de pássaros cidadanos que vivem, mesmo em meio às árvores de concreto, e sobrevivem, mesmo com seus ninhos equilibrados em postes. Pergunto-me o porquê de ainda esperar, se a incerteza é a única certeza que tenho. Se pássaros podem viver no mundo que fora modificado do dele, por que não modifico o meu mundo e vivo?

Vou olhando para o céu, através da janela do meu quarto, vou contemplando a paciência das nuvens que são carregadas, que não têm, aparentemente, vontade própria. Até que escurece em plena tarde e uma rebelião de nuvens faz cair todas as lágrimas que elas guardavam, para me mostrar que é só querer...


Néli Lima
27 de maio de 2011.
(foto: Néli Lima)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dança das Palavras



Meu sono fora despertado por palavras soltas
Que caiam no chão e ecoavam por todo quarto.
Algumas ganhavam forças e voltavam a flutuar
Outras se uniam às demais e protestavam asas.
Flutuando, rodeavam os sentimentos frívolos,
Incansavelmente, formando orações aquecedoras.
Protestando, ganhavam incrível força eloquente,
Por isso asas lhes cresciam e faziam-lhes voar.
Cada palavra ganha seu espaço no espaço.
Vendo a luta em torna-se indispensável oração
Notei que cada palavra fazia-se responsável
E que para cada momento fazia-se importante.
Traçados eram formados em linhas invisíveis,
Como trovadores de versos brandos e reais.
Gotículas de sonho repetidamente caiam,
Ensopando, já, o poema que ia nascendo.
Ilusões claramente reveladas morriam
Dando espaço aos encantos de sonoras rimas.
Vou testemunhando a dança das palavras
Escreverem poética canção de amor.
Aos poucos o sono pesa meus olhos...
Palavra por palavra vai sumindo devagar...
Emudecem as rimas e a música...
Quando ressurge o sol em uma manhã azul
A lembrança de cada verso faz-se clara
Surge mais um registro de tortas palavras
Que teimam em despertar sonos
Apenas para brincar noite a dentro
Com o imaginário de mortal poeta
Pois desejam a eternidade a todo custo.

24 de maio de 2011.
Néli Lima

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Apagar


De repente,
Se eu respirar fundo
E fechar os olhos...
Se esquecesse por alguns segundos.
De repente,
Se eu não recordasse mais o perfume
Nem sonhasse acordada...
Quem sabe
Teu rosto fosse apagando
E a recordação
Tornar-se-ia, enfim,
Lembrança, apenas.
De repente,
Se eu tivesse força
Se tivesse, ao menos,
Coragem...
Aquele beijo ficaria na saudade.
Já que só sentimos saudade
Do que fora bom, um dia.

Talvez,
Ao te ver passar pela janela
Não sentirei o coração
Clamar e chorar
Por um sorriso.
Talvez,
Ao ouvir a tua voz,
Não estremecerão pernas e corpo
Recordando teus toques.

Cada gota de lágrima
É uma inútil tentativa de lavar
Um caminho de sonhos despertados.
Saber o que nos causa dor
Só faz sentido
Quando conhecemos
O antibiótico para saná-la.


Néli Lima
05 de maio de 2011.