Se ao olhar para o céu, através da janela do meu quarto, aquela esperada lágrima rolar mais uma vez, contemplando o caminhar sem preocupação das nuvens, saberei que meu coração ainda espera por você. Com toda paciência de nuvens. Mas a lágrima que rola me faz sentir angustia de estar, talvez, na espera errada. Os dias, para mim, são pão com margarina e suco de limão. Tudo tão igual que até parece normal.
Se ao olhar para o céu, através da janela do meu quarto, aquela esperada lágrima não rolar, tenho medo que seja meu coração conformado e acostumado a saber que as nuvens simplesmente passarão e o deixará, mais uma vez. Nem queijo para mudar o sabor de mais um dia de esperança por mudança de direção do vento.
E olhando para o céu, através da janela do meu quarto ensurdeço ao confuso trânsito urbano e reflito o cântico de pássaros cidadanos que vivem, mesmo em meio às árvores de concreto, e sobrevivem, mesmo com seus ninhos equilibrados em postes. Pergunto-me o porquê de ainda esperar, se a incerteza é a única certeza que tenho. Se pássaros podem viver no mundo que fora modificado do dele, por que não modifico o meu mundo e vivo?
Vou olhando para o céu, através da janela do meu quarto, vou contemplando a paciência das nuvens que são carregadas, que não têm, aparentemente, vontade própria. Até que escurece em plena tarde e uma rebelião de nuvens faz cair todas as lágrimas que elas guardavam, para me mostrar que é só querer...
Néli Lima
27 de maio de 2011.
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