quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dança das Palavras



Meu sono fora despertado por palavras soltas
Que caiam no chão e ecoavam por todo quarto.
Algumas ganhavam forças e voltavam a flutuar
Outras se uniam às demais e protestavam asas.
Flutuando, rodeavam os sentimentos frívolos,
Incansavelmente, formando orações aquecedoras.
Protestando, ganhavam incrível força eloquente,
Por isso asas lhes cresciam e faziam-lhes voar.
Cada palavra ganha seu espaço no espaço.
Vendo a luta em torna-se indispensável oração
Notei que cada palavra fazia-se responsável
E que para cada momento fazia-se importante.
Traçados eram formados em linhas invisíveis,
Como trovadores de versos brandos e reais.
Gotículas de sonho repetidamente caiam,
Ensopando, já, o poema que ia nascendo.
Ilusões claramente reveladas morriam
Dando espaço aos encantos de sonoras rimas.
Vou testemunhando a dança das palavras
Escreverem poética canção de amor.
Aos poucos o sono pesa meus olhos...
Palavra por palavra vai sumindo devagar...
Emudecem as rimas e a música...
Quando ressurge o sol em uma manhã azul
A lembrança de cada verso faz-se clara
Surge mais um registro de tortas palavras
Que teimam em despertar sonos
Apenas para brincar noite a dentro
Com o imaginário de mortal poeta
Pois desejam a eternidade a todo custo.

24 de maio de 2011.
Néli Lima

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