quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Amigos


Às vezes não está por perto
Às vezes não desgruda
Nem sempre ri das piadas
Nem sempre apoia uma decisão
Não pensa só em agradar

Se algo saiu errado
Não tem problema
Vai estar perto
Nem que seja para ajudar
Nem que seja para dizer que "avisou"
Mesmo que esteja longe

Se tudo der certo
Felicidade
Vai estar perto
Seja para comemorar junto
Seja pra dizer que "já sabia"
Mesmo que esteja longe

Passando o tempo que for
Tendo o contato que for
A troca de olhares é esclarecedora
O tom da voz é suficiente

Não precisa de declaração
Mas fica feliz se a ouvir
Não quer provas e certezas
Mas as faz a cada
Companheirismo compartilhado

"Amigos são irmãos de alma"
Já disse um sábio.


Néli Lima
30 de novembro de 2010.

sábado, 20 de novembro de 2010





Ao bebê que está a caminho...

.
É uma benção, eu sei, mas não sei um montão de coisas...
Pode ser Heitor, ou...
Pode ser Sophia
Se sorrir, ainda não sei
Mas sei que traz alegria
Não conheço seus traços
Mas uno dois conhecidos
E sei que é fruto de todo
Esse amor
Não conheço o seu som
Mas apresento a minha voz
Durante todo o dia, até o momento do: boa noite (na voz masculina)
Não sinto o seu cheiro
Mas sei que exala amor
O seu ser ainda desconheço
Mas entrego todo o meu eu.

(chorando muito)

Néli Lima e Sara Vauthier

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

És


Sem ti sou apenas alegoria,
Uma máscara de repetidos carnavais.
Contigo sou bem mais que apenas dois.
Pois és o afago dos meus sonhos.
És o embalo dos meus pensamentos.
És a minha inspiração.
Minha fonte de carinho potável.
Meu lago de bem-querer.
O vento que espalha bonança.
O despertar do meu sorriso.
Meu brilho nos olhos.
Minha vontade de amanhecer.
O cantar de pássaros
Avisando ao mundo que penso em ti.
És a minha insegurança
E a minha certeza.
És a minha angústia
E a minha calma.
És a minha razão
E a minha emoção.
És, então, o meu nada.
És, por isso, o meu tudo.




Néli Lima
11 de novembro de 2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Espera


Só ouvir tua voz ao telefone 
Já não me satisfaz
Só lembrar o teu cheiro
Já não me completa
Só pensar em você sem te ter
Já me tortura o coração.

Se adormeço te encontro em meus sonhos
Mas, ao despertar,
Sinto o frio de estar sozinha
Sem teu corpo para me aquecer.

Sinto falta de tua voz rouca
Que sussura bom-dias
Adoráveis e preguiçosos,
Logo que o sol clareia nosso despertar.
Sinto falta do teu toque
Que arrepia suavemente minha pele
E me faz te desejar.
Quero me entorpercer 
De teus beijos e carícias.
Quero o mais saboroso vício
De te ter em meus braços.

Olhar em teus olhos
E ressacar um sorriso de completude.
Se sou tua
Não preciso mais dizer.
Se és meu
Aguardo a brisa soprar
Novamente
Teu bem-querer
só para mim.


Néli Lima
08 de novembro de 2010.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

De onde vem a chuva





Olha lá
Que pequena triste
Nasceu para chorar.
Naquele mundinho em que vive
Cada dia chove
Como cada lágrima cai.
E se as lágrimas não vêm
Um cinza imperador
Pinta todo o céu crepuscular.
Uivos de choro
Acompanham o vento por toda a parte.

Olha lá
A pequena triste...
Nasceu para chorar.

Se se desata a derramar seu salgado fardo
Não tem rio que não sangre...
Não tem flor que não se afogue.
Não sobra nem barro e nem pedra.
Se só chora de cair um pingo...
Gotículas sucumbem do cinza
A aguar um tímido verde que insiste em aparecer.

Ah! Que pequena triste!
Nasceu para chorar.
Melancolia é o seu nome.
Soturna é a sua vida.
Vai seguindo assim...
Nublando, Chuvando, Chorando... vivendo!

Néli Lima
28 de outubro de 2010

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

É só chegar




Passos vindos distantes
Despertam meus sentidos
Tento te reconhecer em meio
A tanta neblina.
Mas... que neblina é essa?
Não temos neblinas por essas bandas!
Como um susto
Retomo-me de um devaneio.
Olho o céu...
Estrelas escondem-se por detrás de nuvens rosadas.
Ventania acorda folha por folha
Só para mostrar...
Olha só que audácia...
Para mostrar que é ventania.
Como se já não soubessem as folhas.
Os ponteiros do relógio insistem em preguiçar.
Ficam lá quietinhos...
Sonhando com o tempo,
Sem permitir ele passar.
A angústia das estrelas escondidas
Faz cair fina chuva.
Faz esfriar toda uma noite.
Faz escorrer leve lágrima. 
Por tão pouco tudo serenaria...
Só ouvir baixinho
O som rouco que soa de tua boca
Já acalenta meu coração.
Só sentir suavemente 
O sopro de tua respiração
Já aconchega minh'alma.


Néli Lima
28 de outubro de 2010


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Princesa















Ela vinha
Sem subterfúgios
Sem anedotas
Simplesmente: vinha.
Vinha caminhando...
Talvez procurando uma direção...
Talvez encontrando uma direção.
Ela vinha
Sem fábulas
Sem encantos
Simplesmente: vinha.
Vinha num sei de onde...
Queria ir...
num sei pra onde...
Só sei que ela vinha!

Fada-madrinha esqueceu a magia.
Uma abóbora esquecida no encanto.

Ela vinha...
Depois de tantos encontros...
Depois de tantos desencontros.
Vinha buscando
Vinha descobrindo
Vinha, no entanto, aprendendo.

Quem sabe um sapo pelo caminho.
Quem sabe um sapato perdido.

Ela, então, vinha...
E encontrava...
sapos.
E perdia...
sapatos.
E esquecia...
abóboras.
E despercebia....
fadas-madrinhas.

Apólogos de um mundo real?
Ela vinha...
Olhando em volta
Esperando a hora
Sentindo o tempo passar
Desenhando os instantes.

Porque sabia
Porque tinha certeza
Que sonhos,
em estado de Sonhos,
acabam com o despertar do dia.
Que abóboras são desilusões e ensinamentos.
Que fada-madrinha é a vida.
Que os sapatos perdidos são pontes.
E que o príncipe é muito mais que um sapo.



Néli Lima 
5 de outubro de 2010.

  

sábado, 18 de setembro de 2010



Apenas um sonho bom?





















.

É um sonho lindo

É verdade que ontem foi vida

Concretização

Mas hoje... hoje são apenas lembrança

De um sonho bom, longo...

Houve toques idealizados

Suspiros emudecidos

Paixão!

Pela manhã a descoberta: era sonho!

Mas ontem, foi gostoso

Teve vida

Corpo, alma, sede, plenitude, urgência

O corpo em plena transcendência...

E o vento sutil invadindo a alma

Como uma espécie de alento e desejo

Um misto de aflição e delicias...

Teve fome

De atitudes desconhecidas

De reconhecimentos...

Sim, ontem foi lindo!

Teve poesia

Sussurrada ao ouvido

Canção de ninar com respiração forte

Nessa poesia teve arrepios na nuca

Extrapolando os limites do corpo

Carinho regados a toques intensos

Depois de carinhos incansáveis...

Teve brisa...

Mais Carinho...

Mais sede...e ...

Foi só um sonho bom?


.

Sara Vauthier


A NOITE

Essa noite fui sua

Só sua!

Na brisa da noite te senti ao meu lado

Senti teu toque

E nesses toques eu calava

E te sentia

Os teus beijos foram perfeitos

Ardentes e delicados...

Carinho no rosto...

Olhos nos olhos...suavemente: o beijo!

Seu abraço sempre tão acolhedor

Fazia-me flutuar

Calma, amada ...

No teu passeio pelo meu corpo

Te senti tão intenso, tão meu

Que não queria acordar desse sonho só nosso

Entre tantas caricias, me detive naquela que você disse:

“você está cada segundo mais linda, deliciosamente linda”

Envolveste-me esta noite

E me fizestes sentir dependência de sua presença

Assim, despida de qualquer medo

Inteira, intensamente, sua, só sua!

Meu gosto, minha pele, meus mistérios... nessa noite, foram todos seus...

Fui toda sua...

E você essa noite, foi só meu...

Te tive rendido aos meus carinhos

Aos meus beijos

Te tive como sempre sonhei

Só meu!

Te fiz carinhos nas costas...

Deslizei pelo teu corpo

Sentindo tua respiração ofegante

Calei-te e te acarinhei a nuca

Te vi entregue, plenamente meu!

Apesar da sua insistência em me dá prazer

Pude te dar meus carinhos mais intensos...

Te tive essa noite, e amei!

Mesmo agora, aqui quietinha

Te sinto bem de leve...

Esta noite foi nossa, só nossa!



Sara Vauthier

sábado, 11 de setembro de 2010

Notou-se



Quando abriu os olhos percebeu que não sonhara
Quando olhou em volta percebeu que estava vivendo
Vivendo um momento
Vivendo mais uma oportunidade

Quando sorriu percebeu um sorriso-resposta
Quando fechou os olhos sentiu
Sentiu uma boca tocar a sua
Sentiu um beijo tomar seu fôlego.

E em meio aos sentidos notou
Que cada dia uma nova vida pode ser vivida
Que cada instante tem uma razão de existir
Que tudo muda
Como diria um certo músico:
Tudo muda o tempo todo.

Sem pensar no depois
Vai se deixando sentir.

Sem achar o que se perde...
Faz questão de perder
Pelo simples prazer de se deixar esquecido.

E que fora perdido?
Os medos.
Medo de sofrer, medo de errar, medo de frustrar.
Mas
Deixe-os perdidos...
Pelo simples prazer de se deixar esquecidos.

Quando olhou em volta
Notou-se
Tocou-se
Sentiu-se
Amou-se
Percebeu que há muito mais
O tempo todo...
E que bom que tudo muda!


Néli Lima
11 de setembro de 2010

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Só um momento

Cada gota que escorria de seus olhos
Banhava o que ficara para trás
Como se tentasse limpar as desilusões.
Um suspiro, uma lembrança, um sonho...
Partes de um instante.
Nem notou a aurora tentando brilhar.
E que força tinha aquele sol de inverno
Para avisar a sua chegada?
O mar sopra uma brisa fria em suas costas.
O rosto já não sente os grãos de área sob ele.
Seu corpo camuflado permanece deitado,
Desnudo.
Ainda espera um retorno,
Um alguém que, no momento, é qualquer.
Só por uma tal audácia.
Só para sentir... Se sentir.
Suspirou
Mas não o ultimo suspiro
Lembrou
Mas não a ultima lembrança
Sonhou
Mas não era aquele sonho.
Quando o Sol tocou sua pele
Vencendo toda aquela areia que a cobria
Sentiu um quê de vida,
Tentou um quê de vida.
Levantou
Cobriu
Andou
E não mais sonhou.

Néli Lima
1º de setembro de 2010.




sábado, 24 de julho de 2010

MAIS TRISTE




















MAIS TRISTE

Triste não é amar...

Triste é não ser amada.

Não é triste não ter amigos,

Triste é não poder abraçá-los

Triste não estar sozinha,

Triste é ser sozinha.

Tristeza não é chorar...

Tristeza é não poder dizer porque chora.

Triste não é partir...

Triste é não poder ir.

Não é triste não ter a quem abraçar,

Triste é ter, e não poder abraçar.

Não é triste querer carinho,

Triste é saber que alguém poderia te dar, e se recusa!

Saudade não é triste...

Triste é não ouvir a voz da pessoa que se ama

Ausência não é triste,

Triste é presença ausente!

Não, não é triste escrever este poema,

Triste é não ter a quem mostrar.

Sara Vauthier S. Dias


Mais um dia

Este outono parece não ter fim...

Só são folhas secas

Vento frio, céu anil... e só!

Tarde gelada.

Tudo cinza

Preto e branco em mim...

Noite chuvosa de outono.

Tudo calmo na rua

E mais um dia...

Nesta triste solidão,

Neste abandono emocional

Mais um dia de outono sem você!

Não dá pra conversar

Nem dá pra ouvir aquela nossa canção

Nem pra assistir Um Lugar chamado Noth Hill

Mais um dia sem você

E sem aquele chocolate quente preparado a dois

E sem teu corpo a me envolver...

E esse outono que parece não ter fim...

E essa solidão que parece me engolir...

E essa espera que não diz ao menos um “sim”.

Eu pensei que os outonos fossem breves

Mas não são... Eles são senhores do tempo!

Enquanto você não chegar... Será sempre outono!

Sara Vauthier S. Dias

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Reescrita









Um dia ela veio
Toda sem graça
Se fazendo de valente
Achando que a vida era só ela.
Outro dia um sinal...
Um som conhecido chama a sua atenção
E um alguém
Que há muito não via.
Uns dias se passam
E ela, antes tão dona de si,
Percebe que vale mais Ser
A dizer o que fazer.
Cada momento é uma ducha.
Turbilhões de sentimentos
Inundam suas teorias
Escorrem-se todas rio abaixo.
Oportunidade!
Palavra que acerca seu pensamento!
Nunca esteve tão perto do “sim”...
Mas toma emprestado um conhecido Tom
E pensa ser a hora do sim Um descuido do não.
Pode ser só o temor
De desestabilizar sua vidinha sistemática
Na qual os amigos ancoravam sua solidão
E a labuta anestesiava sua desilusão.
E ela veio
Toda sem graça, dedicada e aplicada.
Tímida em sua essência:
Que se entrega, mas olha para trás.
Lendo uma biografia
Que conhece de ,
Mas desejando uma continuidade
Que ainda desconhece.
E que só outra pessoa
Pode escrever!

Néli Lima
10 de maio de 2010.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Vem pra mim


Vejo teus olhos
E espero que eles
Procurem os meus
Para encontrar neles
O meu desejo.
Um mundo verde
Um anjo escondido
Uma liberdade desejada.
Belo mar verde
E ainda espero
Teus olhos encontrarem os meus.
Atração magnificamente tímida.
Duas bocas que só conhecem palavras.
Nem sei mais se sonho
Nem sei mais se desejo
Nem sem, porém, se sonhas
Ou, ao menos, se desejas.
Sei que vejo teus olhos
E busco saber
Como convencê-los
A encontrar nos meus
O princípio de uma
Satisfação suprema.
Vem,
Olha nos meus olhos...
Deseja o meu desejo...
E sente
O calor do meu ‘eu’.
Não se arrependerás.
Mas só me terás
O suficiente para
Não esquecer-te.




Néli Lima
24 de outubro de 2009.