sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um pouco mais

E eu?
O que eu mereço de você?
Um sexo casual,
Um beijo roubado,
Uma troca de carinho,
Olhar em teus olhos... Sorrir
E dizer adeus?
Ter medo de te ligar,
Não poder te mandar uma mensagem,
Limitar meu sentimento?
Diga-me...
O que eu mereço do você?
Os teus dias de feira, apenas?
Sábados e domingos
Afogados em esperança?
Olhar o telefone
Torcer para que ele toque...
Discar mil vezes o teu número
E desligar antes de chamar.
Lembrar do teu beijo e suspirar.
Lembrar do teu toque e estremecer.
Lembrar do teu gosto e sonhar.
O que eu mereço de você?
Ter-te por alguns minutos?
Ri de nossos desencontros?
Esconder um se-querer mais?
O que eu mereço de você?
O incomodo de não está na melhor situação?
Eu quero um pouco mais.
Eu quero te ligar de madrugada.
Eu quero dizer que te amo.
Eu quero ter você sem limites.
Eu quero só um pouco mais.
E você?
O que mais quer de mim?
Será que te sufoco de carinho?
Será que te dedico muito de mim?
Será que te dou mais que precisas?
Diga-me...
O que você quer de mim?
Só um pouco mais?
Só um pouco mais!
Só um pouco mais...

Néli Lima
12 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ciclo



Com um sopro mais forte
A última vida se solta
E começa a vagar.
Já não sustenta o mesmo
Brilho dos primeiros dias.
Deixa-se levar por aquele
Sopro de brisa.
Sobrevoa o descanso de
Encardidas semelhantes.
Cai sobre o campo tristonho.
O sol seca impiedosamente
Cada verde que teimou sobreviver.
Caída naquele campo
Torna-se mais uma
Entre tantas folhas.
Unindo-se
Adubam o solo maltratado
Protegem dos raios solares
Semente de vida.
Como prêmio
Ajudam aflorar linda frutífera.
Renova-se, enfim,
Incansável ciclo.
E mais uma primavera nasce.

Neli Lima
04 de fevereiro de 2011.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Uma partida


O apito
Ouço os pés correndo
Vejo correr uma bola
Ouço a vibração de uma conquista
Vejo abraços
Ouço os animados gritos
Vejo brilhar os sorrisos
Ouço a inquietação de uma falta
Vejo o choro de uma queda.
Mas não é choro de dor física
É o medo de não poder mais voltar.

Presencio a emoção materializada
Em olhos que contemplam
Uma emocionante vitória.
E outros olhos que lastimam
Uma dolorosa derrota.
Presencio, para tudo,
A comunhão entre desconhecidos.
Que comemoram juntos
A conquista que são deles
De coração.
Ou aqueles que se abraçam
E dividem a dor de não ter
O seu time vitorioso.

Assistir ao jogo de futebol
É notar o quão somos
Solidário com a dor
Daquele que semelha uma paixão.
O quão felizes confraternizamos
Pelo amor por um time.
E o time? O que é?
É o jogador que retribui
Tanto sentimento
Com a bola no gol,
Com a defesa do pênalti.

No outro dia
Satisfação de um
Justificativa do outro.
Todos na mesma mesa de bar.
(re)Relembrando
Com a mesma emoção
Cada lance
Da partida que nunca vai acabar.

Néli Lima
04 de fevereiro de 2011.
Foto: Final da Copa do Mundo de 1950, quando Uruguai venceu o Brasil em pleno Maracanã (Foto: AFP)