sábado, 5 de fevereiro de 2011

Uma partida


O apito
Ouço os pés correndo
Vejo correr uma bola
Ouço a vibração de uma conquista
Vejo abraços
Ouço os animados gritos
Vejo brilhar os sorrisos
Ouço a inquietação de uma falta
Vejo o choro de uma queda.
Mas não é choro de dor física
É o medo de não poder mais voltar.

Presencio a emoção materializada
Em olhos que contemplam
Uma emocionante vitória.
E outros olhos que lastimam
Uma dolorosa derrota.
Presencio, para tudo,
A comunhão entre desconhecidos.
Que comemoram juntos
A conquista que são deles
De coração.
Ou aqueles que se abraçam
E dividem a dor de não ter
O seu time vitorioso.

Assistir ao jogo de futebol
É notar o quão somos
Solidário com a dor
Daquele que semelha uma paixão.
O quão felizes confraternizamos
Pelo amor por um time.
E o time? O que é?
É o jogador que retribui
Tanto sentimento
Com a bola no gol,
Com a defesa do pênalti.

No outro dia
Satisfação de um
Justificativa do outro.
Todos na mesma mesa de bar.
(re)Relembrando
Com a mesma emoção
Cada lance
Da partida que nunca vai acabar.

Néli Lima
04 de fevereiro de 2011.
Foto: Final da Copa do Mundo de 1950, quando Uruguai venceu o Brasil em pleno Maracanã (Foto: AFP)

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