
Um dia ela veio
Toda sem graça
Se fazendo de valente
Achando que a vida era só ela.
Outro dia um sinal...
Um som conhecido chama a sua atenção
E um alguém
Que há muito não via.
Uns dias se passam
E ela, antes tão dona de si,
Percebe que vale mais Ser
A dizer o que fazer.
Cada momento é uma ducha.
Turbilhões de sentimentos
Inundam suas teorias
Escorrem-se todas rio abaixo.
Oportunidade!
Palavra que acerca seu pensamento!
Nunca esteve tão perto do “sim”...
Mas toma emprestado um conhecido Tom
E pensa ser a hora do sim Um descuido do não.
Pode ser só o temor
De desestabilizar sua vidinha sistemática
Na qual os amigos ancoravam sua solidão
E a labuta anestesiava sua desilusão.
E ela veio
Toda sem graça, dedicada e aplicada.
Tímida em sua essência:
Que se entrega, mas olha para trás.
Lendo uma biografia
Que conhece de có,
Mas desejando uma continuidade
Que ainda desconhece.
E que só outra pessoa
Pode escrever!
Néli Lima
10 de maio de 2010.