Sentada diante do mar
Não se importava com a areia arranhando sua pele
Nem com o vento frio que soprava
Muito menos com o deserto que a rodeava
O silêncio urbano a fez ouvir todos os sussurros
Que as ondas traziam
O que lhe ajudou a por em disposição
Seus medos e angustias
Naquele momento o mar era
Seu conselheiro mais sensato
Descarregou suas dores e seus conflitos
E a cada onda a esperança era tecida em seu coração
Aquele era o tempo da mudança
O tempo de deixar para trás os pesadelos
Os sonhos não realizados
As despedidas dolorosas
Aquele era o tempo da afirmação
De novos tempos
De novos sonhos
De novos encontros.
Entregou-se a si mesma
E mergulhou em seus pensamentos
Respirava no ritmo das ondas
Pois já fazia parte do cenário
Agora podia gritar
Todo o equilíbrio das suas insanas emoções
E deixar para quem quisesse saber
Que sentia o mundo sob seus pés.
Sem se importar com a areia em seu corpo
Deixou suas pegadas na praia
E partiu...
Estava livre...
Podia, enfim, viver o amor.
Néli Lima
16 de janeiro de 2014
