domingo, 30 de março de 2008


"As razões pelas quais me levaram a ser tua amiga: desconheço!
A razão que me levou a me reconhecer tua amiga: você existir! "


Meus sentidos e você!


Eu nasci pra te amar...
Estava escrito nas estrelas
É meu destino amar...
E ser amada!

Meu coração nunca ousou bater mais forte
Por alguém antes de ti.
E recusa-se a fazê-lo se por ventura
Atrever-se alguém a pedir-lhe sua pulsação!

Eu nasci pra amar...
Nenhuma força pode negar-me isto
Nenhum destino pode apagar
Nasci pra ser amada!

Meus olhos não conseguiram enxergar
Beleza antes de tua face contemplar
Não... Não há beleza antes
Nem além de ti...

Meus lábios jamais pronunciaram
Poemas de amor. Não... Eles não diriam
Enquanto você não chegasse, eles ficariam serrados.
E assim mantiveram-se até você chegar!

O cheiro... ah! Este só veio ser lembrado
Após nosso primeiro abraço
A partir de então o teu cheiro:
Me acompanha, me envolve, não me solta!

Hoje posso ouvir falar de amor!
Escuto uma canção e ouço tua voz...
No silêncio posso ouvir-te dizendo
Que me amas e que tudo vai dar certo...

É... é meu destino amar...
E....Ser amada!









Sara Vauthier

sábado, 29 de março de 2008

AMIGAS - NÓS - POETISAS

Néli Lima e Sara Vauthier


Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem formento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono
ou se edifico,
se permaneço
ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles


sexta-feira, 28 de março de 2008

A Bela e a Chuva

Ela, calma e bela chora!
Estrela em forma de gota
Escorre em sua tez morena.
É ela, menina serena
Que repousa seus sonhos na lua

Houve um tempo em que não chovia.
É que a calma moça só sorria
Mas hoje chove...
E ela calma e bela chora...
Chove e chora...

Não se sabe que mistério
Há entre a natureza e a doce donzela
Sabe-se apenas que:
Quando ela chora, chove.
E quando ela rir, nasce jasmins.

E nasceram jasmins e raras flores
Por muitas estações
Arco-íris, sol gostoso
Alegria de primavera mesmo em pleno verão
Isso, e tudo mais que lembrasse vida.

Hoje, porém, tristeza líquida cai do céu.
Pétalas de rosa molhada banham as ruas
Tudo é vazio, solitário.
Triste e deserto
Deserto sim...mas chove!

Ela, calma e bela chora!
Sonha, delira, respira
Natureza e seus sonhos em ligação
Sua angustia e o choro natural em composição.
Enquanto ela chora...chove!
Sara Vauthier

quarta-feira, 26 de março de 2008

Lua Vermelha, Vermelha Lua









Vida que corre em tua superfície
Avermelhou a tua face
Lua engraçada, meio Cinderela, sempre assim, amarela
Ilumina e se entrega ao mar que a espera.

Vi-te sangrando, em ruínas.
A natureza parou para te consolar
Mas foi inútil, fugistes de todos por entre nuvens.
Mesmo com o coração chorando...
Lua Vermelha: ainda reina.

Não há sombra que te oculte
Teu brilho é inegável e constante
Lua cheia amando sozinha
Espera paciente, sem receio, o sol tão radiante.

Noite nada sombria
Dia que tarda a chegar
És dona da tua hora, Princesa do universo, Rainha do teu lar.
Se quiseres, nem nuvem, nem eclipse te esconderão.

Pois és absoluta em teu céu
Soberana em meus devaneios
Deusa dos apaixonados medrosos, e ousados.
Dona da inspiração de poetas mal-amados.

Vendo-te daqui, assim, sangrando toda...
Percebo que o vermelho constante que teu brilho revelou
Nada mais que o meu estranho amor
Então, Joga sobre ele essa luz de bonança,
quem sabe assim, teu brilho o alcança!

Néli Lima e Sara Vauthier
21 de fevereiro de 2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Até quando?

Chuva de saudade.
O céu fecha-se em si,
Escurece de tristeza
Desiste de azular.
Sons mudos ecoam
Aquela música que não toca mais.
Buscar os teus sorrisos
Já não me completa mais.
Tempestade de solidão
Inunda o vazio de teus beijos.
Melancólico choro das nuvens
Emudece minh’alma.
Murmúrios,
Lamentações,
Desilusões,
Tristes soluços...
Ouvem o “adeus”.
E renunciam ao mundo
Tudo que poderia ser.
Tudo que deixou de ser.
Tudo que não é mais.

Temporal de esquecimento.
Temporal o esquecimento.
É só a chuva passar.
É só a noite dormir.
É só abrir novamente os olhos
Que o mórbido dia
Ressurge a espera de
Outras águas.


22 de março de 2008.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Imagem


O tempo parece ter parado e
Tudo parece que foi esquecido.
As aparências passam
Despercebidas.
Há pessoas em toda parte,
E ninguém em parte alguma.
Fica escuro.
Fica claro.
Tudo parece não existir
E tudo está logo
Aqui... Ali
De lá... Para cá!
Fecho os olhos e vejo
Uma vida.
Porém, uma vida que já passou...
Abro os olhos e não vejo mais nada!
Não.
Não estou cega!
Só não consigo enxergar além...
Com os olhos fechados
Tudo é mais feliz!
Com os olhos abertos
Tudo é mais distante!
Parece que o tempo parou.
Parece que tudo está esquecido.
Não há ninguém na multidão.


05 de julho de 2006.
Inerte

Inerte, parece não sentir nada.
Um sorriso mascara sua dor.
Como um dom, disfarça sua angustia.
Solitária e triste vive de aparência.
Não pode ver o arco-íris.
Já não acredita no amor.
Desiste do que é ser feliz.
Ilusões, decepções, caminhos não traçados...
Caminhos que não foram seguidos.
Tudo é tão frívolo.
Tudo é tão impossível.
Com seu olhar distante não
Percebe a borboleta azul que lhe beija.
Inerte, não sente o sopro de vida
que toca sua face.
Não ouve a chuva cair.
Não sente a pele molhada.
Não vê o dia passar.
Não percebe o brilho da
Lua cheia que surge.
Lua que ilumina todo um novo caminho.
Porém, inerte, não percebe que
novas vidas vão e vem.
Solitária em si, permanece
Inerte.

(10/07/07)