quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Princesa















Ela vinha
Sem subterfúgios
Sem anedotas
Simplesmente: vinha.
Vinha caminhando...
Talvez procurando uma direção...
Talvez encontrando uma direção.
Ela vinha
Sem fábulas
Sem encantos
Simplesmente: vinha.
Vinha num sei de onde...
Queria ir...
num sei pra onde...
Só sei que ela vinha!

Fada-madrinha esqueceu a magia.
Uma abóbora esquecida no encanto.

Ela vinha...
Depois de tantos encontros...
Depois de tantos desencontros.
Vinha buscando
Vinha descobrindo
Vinha, no entanto, aprendendo.

Quem sabe um sapo pelo caminho.
Quem sabe um sapato perdido.

Ela, então, vinha...
E encontrava...
sapos.
E perdia...
sapatos.
E esquecia...
abóboras.
E despercebia....
fadas-madrinhas.

Apólogos de um mundo real?
Ela vinha...
Olhando em volta
Esperando a hora
Sentindo o tempo passar
Desenhando os instantes.

Porque sabia
Porque tinha certeza
Que sonhos,
em estado de Sonhos,
acabam com o despertar do dia.
Que abóboras são desilusões e ensinamentos.
Que fada-madrinha é a vida.
Que os sapatos perdidos são pontes.
E que o príncipe é muito mais que um sapo.



Néli Lima 
5 de outubro de 2010.

  

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