segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Segredo



Agora estou a sós
Não tem mais ninguém próximo a mim
Ouço, apenas, a chuva surda cair lá fora
Sim. Chuva surda
Pois ela não ouve a mim
Que peço a sua atenção.
Grito. Mas de nada adianta.
Angustias dominam a clausura!
Também não ouço os meus gritos:
São internos.
Ninguém pode ouvi-los.
Aliás, ninguém Deve ouvir.
“Ssssss...!”
Vou falar baixinho
A chuva silenciou-se
Decidiu me ouvir...
Apenas ela vai saber.
E o que há de secreto?
Um dia alguém pode descobrir (ou não).
Agora a chuva já conhece o meu segredo.
E só ela, com sua surdez barulhenta
É capaz de esconder as confissões.
Ainda estou a sós
A chuva continua caindo e mais forte
Porém, agora, espalhando o meu segredo
Silenciosamente por onde passa.


Néli Lima
31 de agosto de 2006.

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